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Revista Shopping Centers > Número 168 | Abril de 2012

Estacionamentos

Parar sem parar

Censo Abrasce registra aumento no número médio de vagas nos estacionamentos dos shoppings, mas total de veículos em circulação segue em crescimento acelerado

por Rafael Balago

Se depender do número de vagas, encontrar um lugar para estacionar nos shoppings ficou mais fácil. O Censo Abrasce 2011/12, realizado pela PwC, sob encomenda da Abrasce, aponta que houve crescimento nas vagas de estacionamento em 2011, no comparativo com 2010. A média de vagas por shopping em todo o País passou de 1.537 para 1.711. Os maiores crescimentos foram registrados no Sudeste, cuja média avançou de 1.655 para 2.427 vagas, e no Nordeste, onde este valor aumentou para 2.332, contra 1.790 em 2010. O número médio de pisos dedicados a receber os automóveis se manteve em três em todas as regiões do País, com exceção do Nordeste, onde ficou em dois.

A dificuldade em parar o carro é um dos principais fatores que podem desestimular os consumidores a frequentar um shopping, como sabe qualquer motorista que perdeu longos minutos dando voltas em círculos sem ter onde estacionar. Para evitar este tipo de transtorno, os empreendimentos investem em tecnologia e novas estruturas. A criação de novas vagas é motivada tanto pela expansão dos shoppings (de acordo com dados do Censo, um em cada quatro shoppings está em expansão, e 55% dos empreendimentos pretendem expandir sua área nos próximos dois anos) quanto pelo aumento do número de veículos em circulação: em 2011, exatos 5.725.561 veículos passaram a circular no Brasil, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A frota total, que atingiu 70,5 milhões em dezembro, mais que dobrou nos últimos dez anos. Em 2001, 31,9 milhões de veículos rodavam no País.

O Shopping Nova América, no Rio de Janeiro, realiza obras para aumentar o total de vagas disponíveis como parte de um projeto de expansão que trará 130 novas lojas e mais 900 salas comerciais. Um estacionamento térreo de 2,5 mil lugares dará lugar a sete pisos de garagens, capazes de comportar 4,2 mil automóveis. O crescimento será todo verticalizado, o que permitirá ao shopping praticamente dobrar o número de vagas e a ABL, sem aumentar o espaço ocupado no terreno.

O Iguatemi de São Paulo, na Avenida Faria Lima, também precisou aumentar seu estacionamento. No ano passado, foi construído um novo edifício, com 600 vagas, para receber os veículos. A ampliação resultou num aumento de 35% na oferta de vagas. `O estacionamento é crucial para o shopping`, considera Ivan Murias, diretor de operações do Grupo Iguatemi.

Revista Shopping Centers Ed. 168

No novo empreendimento do grupo, o JK Iguatemi, também na zona sul da capital paulista, haverá 2 mil vagas distribuídas em três pisos. Para facilitar o deslocamento entre eles e a procura dos motoristas por um lugar para o seu carro, cada vaga terá um sensor de movimento, que registra se o espaço está ocupado ou vazio. As informações são reunidas por um sistema e disponibilizadas na entrada do estacionamento em placares eletrônicos, de modo a informar aos motoristas quais pisos estão menos cheios. Outra solução planejada para o JK Iguatemi para agilizar o tráfego nos acessos ao estacionamento é o uso de máquinas de pagamento automático no momento da saída.

Além dos controladores de acesso automatizados, outra solução proposta para otimizar os estacionamentos é o uso de duplicadores de vagas. Em cada uma delas, é instalado um elevador. Quando um carro para ali, ele é erguido e fica suspenso, deixando a vaga livre para um segundo veículo, que ficará embaixo do automóvel que chegou primeiro. O sistema já foi adquirido por alguns edifícios no Brasil, mas a reportagem não encontrou shoppings que o utilizem. De acordo com um representante da Primax, fabricante deste tipo de equipamento, alguns shoppings se interessaram pela ideia e procuraram a empresa, mas nenhum deles fechou negócio.

O Censo Abrasce também registrou um ligeiro aumento na média de shoppings que cobram pelo estacionamento. Em todo o País, o estacionamento gratuito em shoppings passou de 22% para 20% em um ano. A queda foi mais expressiva no Sudeste, onde as vagas cobradas passaram de 74% do total para 80%. Para o Center Norte, em São Paulo, passar a cobrar o tíquete de estacionamento foi uma forma de garantir mais espaço para atender seus clientes. A administração apurou que 40% das 7 mil vagas eram usadas por pessoas que não frequentavam o shopping. A mudança passou a valer em janeiro deste ano.

Se todo o trabalho de otimização e ampliação do estacionamento trouxer os resultados esperados, mais carros passarão a entrar e a sair do shopping, o que pode complicar o trânsito nas vias próximas. Caso isso ocorra, o acesso ao empreendimento ficará comprometido, e as melhorias internas podem perder o sentido, já que os motoristas terão problemas para chegar até elas. `Os shoppings devem e podem realizar estudos de impacto na área primária de seu entorno, propondo e participando da implantação de medidas iniciais e progressivas que vão garantir que os efeitos negativos sejam tecnicamente tratados`, defende José Ricardo Daibert, especialista em trânsito e transportes, da Transporta Consultoria. `Empreendimentos que não tratam da questão colocam em risco seu próprio sucesso.`

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Daibert lembra que em alguns municípios, como São Paulo, novos empreendimentos em áreas de trânsito intenso têm de pagar um valor adicional para ter a construção autorizada, e este dinheiro fica (teoricamente) reservado para melhorias viárias no entorno. Foi o caso do Bourbon Shopping, na Pompeia, que, além de pagar a chamada outorga onerosa, criou uma área maior para a entrada de carros, que permite aos veículos esperar para acessar às garagens dentro do terreno do shopping, de modo a evitar bloqueios no tráfego na avenida Francisco Matarazzo.

`Fica complicado o empreendedor discutir os detalhes da operação urbana, mas essa operação é um instrumento inteligente, adotado em outros países`, afirmou , na ocasião da inauguração em 2008, Cláudio Luiz Zaffari, diretor do Grupo Zaffari, que controla o Bourbon. Com centenas de milhares de novos carros chegando a cada mês às ruas do País, os shopping centers não têm mesmo como se prepararem sozinhos para recebê-los.

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