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Revista Shopping Centers > Número 157 | Julho 2010

Efiência a frio

A GONGERAÇÃO PARA SISTEMAS DE AR-CONDICIONADO TEM SIDO UM MÉTODO CADA VEZ MAIS PROCURADO PELOS SHOPPINGS PARA DIMINUIR CUSTOS E MELHORAR O APROVEITAMENTO DE ENERGIA

Por Maíra Teixeira

Se fosse feita uma pesquisa com empreendedores e administradores sobre as características essenciais para o bom funcionamento de um shopping center, certamente dez entre dez entrevistados colocariam um sistema de ar-condicionado eficiente na lista de prioridades. O ar-condicionado é tão importante no dia a dia de um centro de compras a ponto de alguns especialistas o `sangue que corre nas veias de um shopping`. Tal como o sangue no corpo humano, o ar resfriado precisa chegar a todos os pontos de maneira equilibrada, praticamente sem ser notado. Porém, se não funciona de maneira adequada, `o restante do corpo do shopping` sofre, e os frequentadores logo percebem o desequilíbrio.

Entretanto, a importância deste equipamento é proporcional ao desafio constante dos administradores de reduzir seu impacto nos gastos com a manutenção. De maneira geral, o ar-condicionado é responsável por cerca de 30% a 40% dos custos de manutenção dos empreendimentos. `Quando se fala em redução no orçamento de shoppings é impossível não falar em diminuir os valores pagos pela energia utilizada para refrigerar o ar. Esta é a grande conta dentro do custo de manutenção`, avalia Alexandre Breda, gerente de cogeração e climatização da Comgás.

Para diminuir esse custo, há no mercado brasileiro opções de substituição do ar-condicionado que funciona por meio de energia elétrica. Essas modalidades de geração de energia vão desde a utilização de diesel e querosene até a cogeração movida a gás natural. Há, inclusive, a possibilidade de terceirização da construção de toda a estrutura do sistema, além da implementação da cogeração. Tudo depende de como esse investimento será planejado. A cogeração pode representar um investimento alto, mas o retorno é recuperado em um período de quatro ou cinco anos, segundo a Comgás. Trata-se de um processo de produção de energia com elevado grau de eficiência, pois permite o maior aproveitamento da energia útil com o mínimo de energia residual. `Ou seja, aproveita-se do combustível utilizado (gás natural, diesel, querosene, por exemplo) a maior quantidade de energia, evitando desperdícios e, consequentemente, se ganha maior eficiência no processo e economia financeira`, afirma Breda.

Um detalhe interessante na cogeração de energia por meio do gás natural é que todo sistema de ar-condicionado movido a gás é híbrido, gerando também energia elétrica. Isso faz com que nunca falte energia, em hipótese alguma, ao shopping. A utilização do gás natural para a geração de ponta é aconselhável para grandes empreendimentos, como shoppings, hospitais e hotéis, que têm grande consumo elétrico e não podem ficar sem energia. Dentro do setor de shopping atendido pela Comgás, o crescimento da procura pela cogeração foi de 40% em 2009. `É uma tendência dentro desse mercado, por sua sustentabilidade, pelo baixo custo do investimento em curto prazo, e pela confiabilidade e autossuficiência. Sem falar que a estrutura de cogeração é feita para rodar o dia inteiro e não apenas no período de geração de ponta. Ou seja, a economia é feita em horário integral.`

A PROCURA PELA COGERAÇÃO AUMENTOU 40% EM 2009

O sistema que utiliza apenas o ar-condicionado a gás natural também é mais vantajoso em relação aos equipamentos elétricos. `Esse tipo de equipamento consome de 96% menos energia elétrica, na comparação com o equipamento convencional. E como o sistema de refrigeração é o grande consumidor de eletricidade de empreendimentos comerciais, ao se utilizar um sistema cuja energia principal é o gás natural, desloca-se boa parte da demanda elétrica, diminuindo investimentos na infraestrutura elétrica, instalação de subestação, cabeamento, gerador de emergência, entre outros`, explica Breda.

Além da economia financeira, a utilização do gás natural para sistemas de geração traz um enorme ganho ambiental. O gerador movido por esse combustível emite cerca de 30% menos gás carbônico (CO2), as emissões de óxido de nitrogênio (NOx) são cerca de 40% menores e as de monóxido de carbono (CO) e material particulado (MP) reduzem em até 59% e 90%, respectivamente, na comparação com um gerador que funcione a óleo diesel. O equipamento utilizado é o chiller de absorção, que faz a refrigeração do ambiente por meio da produção de água gelada. Este modelo é o mais indicado para grandes empreendimentos pela eficiência e por seu apelo ambiental (baixa emissão de resíduos), pois o fluido refrigerador é a própria água.

CUSTOS

No horário de geração de ponta (pico do consumo), das 17h30 às 20h30, a energia elétrica é de seis até sete vezes mais cara. Segundo Nelson Oliveira, diretorpresidente da Ecogen Brasil, empresa que desenvolve soluções e estruturas de geração energética, neste período é comum os shoppings ligarem seus geradores a diesel. `Isso traz economia de energia elétrica. Mas a energia produzida não é limpa. Por isso é interessante ter um gerador a gás. Além de economia, há uma contribuição ao meio ambiente`, diz Oliveira. Ele ressalta que a cogeração a gás já é uma tendência no Brasil, pois os shoppings novos já são construídos com o novo sistema e os empreendimentos mais antigos estão trocando seus geradores a diesel. Oliveira afi rma que o equipamento a gás é 30% mais caro do que o utilizado a diesel. Mas o retorno do investimento pode ser conseguido entre quatro e cinco anos e a sua geração será limpa, mais sustentável.

O MERCADO TEM OFERECIDO COMPONENTES MAIS DESENVOLVIDOS, CUJA MAIOR PREOCUPAÇÃO É A QUESTÃO AMBIENTAL

`A legislação também tem mudado em alguns países e em Estados brasileiros. Por isso, é importante estar alinhado com as preocupações ambientais. Afi nal, além da questão econômica, há o retorno de imagem quando se pensa no lado sustentável.`

O diretor-presidente da Ecogen lembra ainda que a cogeração a gás também traz uma economia de espaço físico, pois a estrutura é menor do que uma de subestação elétrica. Além disso, o volume de cabeamento necessário é menor e o gerador está no local onde a energia será consumida. A Ecogen já implementou soluções energéticas em 14 shoppings no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia e Rio Grande do Norte. `Avaliamos caso a caso e os projetos são sempre customizados para garantir o que o shopping quer, seja efi ciência, autossufi ciência, terceirização do serviço. Na maioria dos casos a cogeração é sempre mais viável. Já o modelo de investimento varia de acordo com o que o cliente necessita.`

O alto custo do investimento para trocar a estrutura elétrica ou o gerador a diesel não precisa ser um obstáculo, explica Alexandre Breda, da Comgás. Segundo ele, já há no mercado brasileiro empresas que fazem contratos com shoppings em uma espécie de concessão. `As empresas constroem toda a estrutura e depois repassam o pacote completo para o shopping. O custo de implementação tem redução de quase 40%. Há também ainda a possibilidade de uma gestão terceirizada do sistema.`

GÁS ECOLÓGICO

De olho no mercado promissor da cogeração há uma oferta cada vez maior de equipamentos, componentes e sistemas. No Brasil, o crescimento do setor acompanha o aquecimento dos empreendimentos comerciais, principalmente os shoppings centers. A estimativa das empresas do setor é que o mercado de cogeração tenha crescido em torno de 40% nos últimos dois anos. Além da evolução em equipamentos, o mercado tem oferecido componentes mais desenvolvidos, cuja maior preocupação é a questão ambiental.

No Santana Parque Shopping o sistema de ar-condicionado utiliza gás refrigerante, o `gás ecológico`. De acordo com Ivan Silva, coordenador da Hochtief Facility Management, empresa responsável pelo sistema do `shopping verde`, como é conhecido o Santana Parque, esse tipo de gás não tem CFC e, portanto não afeta a camada de ozônio. `Além disso, o sistema funciona a partir da adequação à carga térmica. Por exemplo: se o clima estiver 30º de manhã e à tarde cair para 15º, o ar-condicionado vai mudar automaticamente a temperatura no interior do shopping para deixar os clientes confortáveis. O contrário também funciona dessa forma: se o dia começar frio e depois fi car mais quente, o aparelho diminui a temperatura`, explica Ivan. Segundo ele, a economia do gás em relação à energia elétrica é de 20%. `Entretanto, a vantagem maior do sistema no Parque Santana nem é tanto a redução dos gastos, mas principalmente o fato de ser um sistema ecologicamente correto, que vai ao encontro da nossa proposta de sustentabilidade.`

Os shoppings União de Osasco, e Bourbon Shopping Pompeia, na zona oeste da capital paulista, inaugurados em junho e maio de 2009, respectivamente, optaram pelo uso do gás natural como fonte de energia para todo o seu sistema de climatização. Em Osasco, a utilização do gás natural para o ar-condicionado permite uma economia de 20% sobre os custos de operação da central de refrigeração, comparado com um sistema convencional elétrico. `A opção pela utilização do gás natural na produção do ar-refrigerado foi baseada na possibilidade de redução da infraestrutura elétrica e no aproveitamento deste tipo de energia para outros setores do empreendimento`, afi rma o superintendente do Shopping União, João Carlos Alves Feitosa. No Bourbon Shopping Pompeia a cogeração é responsável por uma economia de 52% a 55%, sobre o valor da energia elétrica convencional.

Como funciona a cogeração

Primeiro, queima-se o gás. Neste processo é gerada a energia elétrica que produz a água gelada (que será a responsável por promover a troca de calor do ambiente do shopping com o ar frio originado por ela mesma). Depois, a tubulação do gás natural vai até o chiller (peça que resfria a água que será enviada ao interior do shopping). Do chiller, a água segue, via serpentina, para o ambiente, a fim de absorver o ar quente. Este ar quente volta para o chiller, que refaz todo o processo sistematicamente.

Curiosidade

A utilização da cogeração no Brasil teve um começo polêmico, por falta de conhecimento do mercado e por um erro de avaliação das empresas que implementavam o sistema para indústrias, hospitais e grandes empresas. Era comum que a demanda de energia fosse super avaliada, e isso gerava um excedente que não era utilizado nem vendido pelas empresas. hoje, o cálculo tem sido feito de maneira adequada e as empresas geram a energia na medida em que necessitam e não ficam com estoque parado.

Vantagens da cogeração customizada

❄Redução de investimento do cliente em infraestrutura
❄ redução de custos operacionais
❄ maior confi abilidade operacional (redundância)
❄ foco em sua atividade-fi m
❄ matriz energética diversifi cada
❄ Compromisso com efi ciência energética
 

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