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Revista Shopping Centers > Número 157 | Julho 2010

Congresso em debate

NO MAIOR EVENTO DA INDÚSTRIA DE SHOPPING CENTERS DA AMÉRICA LATINA, SERÃO DEBATIDOS OS GRANDES TEMAS RELACIONADOS AO SETOR E PREMIADAS AS BOAS PRÁTICAS

Um dos maiores valores de um evento como o 11º Congresso Internacional de Shopping Centers e Conferência da Américas é a produção de conhecimento e a promoção de relacionamento entre profi ssionais do setor. E é para contemplar esses dois objetivos que a Abrasce, em parceria com o ICSC, promoverá um grande ciclo de debates durante o evento. Os maiores empreendedores nacionais já confi rmaram presença, além de experts em temas como economia, tendências de varejo, redes sociais e perspectivas para 2011. O Congresso ocorrerá nos dias 4 a 6 de outubro no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Inscrições pelo site:

www.portaldoshopping.com.br/congresso

PRÊMIO ABRASCE

Ainda como parte da fi losofi a de produzir e difundir conhecimento especializado e reconhecer as boas práticas e melhores estratégias na gestão dos shoppings, a cada dois anos, justamente por ocasião dos Congressos Internacionais, ocorre a premiação ABRASCE.

O prêmio é dividido em cinco categorias:

❄PRÊMIO ABRASCE EXCELÊNCIA EM EXPANSÃO E REVI TALI ZAÇÃO
❄PRÊMI O ABRASCE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
❄PRÊMIO ABRASCE MERCHANDISING
❄PRÊMIO ABRASCE VAREJO EM SHOPPING CENTERS
❄PRÊMIO NEWTON RIQUE DE RESPONSABILI DADE SOCIAL

Para a edição 2010, foram 82 projetos inscritos, nas cinco categorias, 40% deles concentrados na categoria `Excelência em Gestão`. Em relação à edição anterior do prêmio, houve um aumento de 71% no número de projetos inscritos nas categorias `Excelência em Gestão`, `Excelência em Expansão e Revitalização`e `Newton Rique de Responsabilidade Social`.

11ª EXPOSHOPPING

Paralelamente ao Congresso, ocorre a 11ª edição da Exposhopping. Trata-se da maior feira da indústria de Shopping Centers da América Latina. A feira congrega empreendedores, gestores, administradores, investidores do Brasil e do exterior, durante três dias, em um único local. A Exposhopping é o principal centro gerador de negócios, relacionamentos e conhecimentos do Cone Sul. A rápida ocupação dos estandes e a participação de grandes players de vários segmentos, refletem a importância do evento, que é exclusivo para profi ssionais do setor.

PROGRAMAÇÃO

DIA 4 DE OUTUBRO

INAUGURAÇÃO DA 11ª EXPOSHOPPING

CERIMÔNIA DE ABERTURA

PRÊMIOS ABRASCE 2010

DIA 5 DE OUTUBRO

PALESTRAS

PAINEL 1 - CENÁRIO POLÍTICO E ECONÔMICO NO BRASIL E NA AMÉRICA LATINA
`EM UM CONTEXTO MUNDIAL  DE PROFUNDAS TRANSFORMAÇÕES POLÍTICAS E ECONÔMICAS, COMO O BRASI L É VISTO E QUAL  PAPEL  ASSUME NA AMÉRICA LATINA`

PAINEL 2 - RIO DE JANEIRO EM EVIDÊNCIA
`A COPA DE 2014 E AS OLI MPÍ ADAS DE 2016 SERÃO FUNDAMENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-ECONÔMICO DO BRASIL.`

PAINEL 3 - CENÁRIO ATUAL DA INDÚSTRIA DE SHOPPING CENTERS E PERSPECTIVAS PARA 2011
`A INDÚSTRIA DE SHOPPI NGS MOSTRA-SE EXTREMAMENTE DI NÂMI CA E OTIMISTA. A TENDÊNCIA PARA O ANO QUE VEM É DE MANUTENÇÃO DOS NÍVEIS DE INVESTIMENTO`

PAINEL 4 - MILLENIALS - A NOVA GERAÇÃO
`UM PAINEL SOBRE AS CARACTERÍ STICAS DA NOVA GERAÇÃO DE CONSUMIDORES, PARA COMPREENDER QUAIS PRODUTOS E MENSAGENS DE MARKETING QUE MELHOR FUNCIONAM PARA ELES`

PAINEL 5 - DO HOMO SAPIENS À GERAÇÃO Z
`APRESENTAÇÃO DA PESQUISA `A INFLUÊNCI A DA CRIANÇA NO HÁBITO DE COMPRAS DA FAMÍLIA EM SHOPPING CENTERS` E UM DEBATE SOBRE O SEU IMPACTO NO MUNDO DOS SHOPPING CENTERS`

PAINEL 6 - O NOVO PERFIL DO LÍDER E A ARTE DE LIDERAR
`UM LÍDER EFICAZ É AQUELE QUE SAI NA FRENTE DA SUA EQUIPE, ABRINDO O CAMINHO E LEVANDO A PRIMEIRA PANCADA. SEJA UM LÍ DER GESTOR, UM LÍ DER EDUCADOR E, PRINCIPALMENTE, UM LÍDER TRANSFORMADOR`

DIA 6 DE OUTUBRO

PAINEL 7 - SHOPPING CENTER - CRIANDO UMA MARCA
 `O SUCESSO DA MARCA DE UM SHOPPING CRIA UMA VANTAGEM COMPETITIVA. É IMPORTANTE IDENTIFICAR A MARCA APROPRIADA, BEM COMO COMUNICÁ-LA E MANTÊ-LA`

PAINEL 8 - O MERCADO DE SHOPPING CENTERS NA BASE DA PIRÂMIDE
`NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS TANTAS PESSOAS INGRESSARAM NO MERCADO CONSUMIDOR EM TÃO POUCO TEMPO. PARA ATENDÊ-LOS, OU ENTENDÊ-LOS, EMPRESAS ADAPTARAM OU CRI ARAM NOVOS PRODUTOS E SERVIÇOS`

PAINEL 9 - REDES SOCIAIS: VERDADES E EFEITOS COLATERAIS DA NOVA COMUNICAÇÃO DIGITAL
`A TECNOLOGIA PRODUZIU MUDANÇAS PROFUNDAS NO COMPORTAMENTO HUMANO E É PRECISO ESTAR ATENTO AO IMPACTO DA TECNOLOGIA NO COMPORTAMENTO DAS PESSOAS`

PAINEL 10 - PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS DO VAREJO
`NESSE PAI NEL, EXECUTIVOS DO VAREJO DEBATERÃO A DINÂMICA DO SETOR, NOVOS FORMATOS E ESTRATÉGIAS DE INOVAÇÃO PARA ATRAIR O CONSUMIDOR`

PALAVRAS FINAIS

PALESTRA DE ENCERRAMENTO

INFOMAÇÕES SUJEITAS A ALTERAÇÕES. PARA VER A GRADE DE HORÁRIOS COMPLETA, ACESSE: WWW.PORTALDOSHOPPING.COM.BR

 

A CRISE DE ITARARÉ

Por Luiz Fernando Pinto Veiga, Presidente da Abrasce, que mediará o painel `Cenário Atual e Perspectivas para 2011`

Entre todos os setores da economia brasileira, o comércio, seguramente, foi o que sofreu menos os impactos da desaceleração econômica que atingiu o mundo, em 2009.

Desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008, fi cou bastante claro que as atividades econômicas voltadas para o mercado interno brasileiro seriam as que liderariam a retomada do crescimento, de uma chamada crise que, por aqui, pareceu um pouco com a Batalha de Itararé - a que `foi sem nunca ter sido`. Apenas para lembrar esse fato histórico pitoresco, noticiava-se, em 1930, uma carnificina entre as tropas de Washington Luís e as de Getúlio Vargas, em batalha que se daria em Itararé, divisa do Paraná com São Paulo. Batalha que nunca aconteceu.

Fato real é que os segmentos voltados para o mercado interno exibiram no ano passado, e continuam a exibir em 2010, um desempenho extremamente positivo, ancorados na resistência do mercado de trabalho e na ampla oferta de crédito, além de alguns terem sido beneficiados por reduções de impostos. Num cenário de renda preservada, em que o nível de emprego sofreu pouco, o comércio varejista teve desempenho bastante robusto em 2009, crescendo 5,9%, na média.

Especificamente, o setor de shoppings mostrou-se extremamente dinâmico e apresentou crescimento ainda maior. Vários empreendimentos foram inaugurados e outros lançados. Mesmo nesse contexto de expansão, a vacância continuou residual. No que diz respeito ao andamento de obras, nem se fala. Shoppings são planejados com muita antecedência e o financiamento é estudado para que o cronograma seja mantido, mesmo diante de intempéries econômicas.
Nesse cenário, um fato extremamente relevante chama a atenção. Tanto no caso dos varejistas, quanto no caso dos shoppings, consolidou-se a visão de que os dois segmentos fazem parte do mesmo negócio. Isso tem catalisado a aproximação dos dois segmentos. É difícil dizer o porquê de essa aproximação ter sido acelerada nos últimos tempos. Ela, provavelmente, foi capitaneada pela necessidade de continuar faturando e lucrando, na iminência da possível crise e pelo amadurecimento dos investimentos nos malls e no varejo.

Isso sem dizer o óbvio: que shoppings não existem sem lojas, e que as lojas, por sua vez, consolidam seus negócios com a presença cada vez mais forte nos shoppings - especialmente nos casos das redes de comércio, alimentação, franquias e entretenimento. O estreitamento, portanto, é mais do que saudável e os resultados já são (e continuarão a ser) notados.

No início deste ano, por exemplo, entrou em vigor a nova Lei do Inquilinato. Ela veio contemplar justamente a necessidade de trazer transparência e segurança jurídica para a relação entre lojistas e locadores de imóveis comerciais. Foi um fato importantíssimo, que beneficiará o mercado como um todo. Haverá mais imóveis disponíveis para os varejistas, uma vez que os proprietários se sentirão mais seguros para colocar seu patrimônio à disposição do mercado.

Além disso, basta conversar com um dos empreendedores da indústria de shopping centers para notar o quanto eles estão otimistas e pretendem continuar investindo em novos projetos e na renovação dos já consolidados. Isso, certamente, vem de uma visão de que haverá varejistas competentes e suficientes para que os empreendimentos sejam rentáveis. O Congresso que promoveremos em outubro será uma grande oportunidade para essa conversa. Estão todos convidados.

A HORA E A VEZ DAS MÍDIAS DIGITAIS

Por Luiz Alberto Marinho, da Brandworks, que mediará o painel `Redes Sociais: verdades e efeitos colaterais da nova comunicação digital`

Houve um tempo em que a internet brasileira era para poucos - somente as classes mais altas possuíam computadores pessoais e acesso ao precário serviço de conexão à web. Lentamente esse cenário vai mudando. Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) mostram que no ano passado 36% dos lares brasileiros já estavam equipados com um computador, percentual que chega a 94% na classe A e a 78% na classe B. No que diz respeito à quantidade de internautas, a evolução foi ainda mais radical. A internet se espalhou rapidamente pelo País, graças principalmente à proliferação das lan houses, apelido que ganharam os locais públicos de acesso à internet pago, muitos deles localizados em áreas populares. Estima-se que existam no Brasil mais de 90 mil desses centros. Além disso, a conexão residencial e no trabalho também avançam a passos largos. O resultado? No final do ano passado, o Ibope Nielsen Online já contabilizava 67,5 milhões de brasileiros, de 16 anos ou mais, com acesso à internet em qualquer ambiente, sejam residências, trabalho, escolas, lan houses, bibliotecas ou telecentros.

E o que faz toda essa gente na web? Uma das nossas atividades preferidas é navegar por redes sociais, blogs, fóruns e salas de bate-papo. Nada menos que 31,7 milhões de pessoas fizeram isso em casa ou no trabalho no mês de fevereiro, segundo o Ibope. Para dar idéia do papel da internet como instrumento de socialização, basta dizer que cada um de nós passa em média quase quatro horas e meia on-line todos os meses papeando, trocando informações ou simplesmente bisbilhotando a vida alheia.

É claro que boa parte dessas conversas são sobre marcas, produtos e serviços. Estudo recente feito pela ROI Research mostrou que cerca de 1/3 dos usuários americanos do Twitter compartilham opiniões sobre empresas ou produtos. A mesma pesquisa mostrou que 41% dos participantes do Facebook acreditam que ali é um bom lugar para receber informações sobre marcas. Os profi ssionais de marketing, porém, demoraram a perceber a importância das mídias digitais. Prova disso é que a propaganda on-line ainda representa apenas 2,8% do investimento total dos anunciantes brasileiros. Esse cenário deve mudar. Levantamento do Ibope mostra que o investimento em marketing digital no Brasil subirá 10% esse ano, e que 84% das empresas pretendem realizar alguma ação de marketing na web. Além disso, 78% já utilizam a internet para divulgar produtos e 69% para se relacionar com clientes, principalmente por meio das redes sociais.

A realidade é que as marcas, em todo o planeta, ainda estão aprendendo a usar as mídias digitais. Isso inclui, obviamente, os shopping centers. Neste estágio inicial, compartilhamos todos uma infinidade de dúvidas e uma única certeza: não dá para ignorar a internet como canal de comunicação com nossos clientes.

O MERCADO DE SHOPPING CENTERS NA BASE DA PIRÂMIDE

Por Cláudio Sallum, da Lumine, que mediará o painel `O mercado de shopping centers na base da pirâmide`

Junho de 1986: no Hotel Nacional do Rio de Janeiro, a ABRASCE realizava o 1º Congresso Internacional de Shopping Centers. O País, recém saído de um longo período de forte intervenção governamental, ensaiava os primeiros passos na direção de uma economia de mercado. A indústria de shopping centers, ainda incipiente, não contava nem os primeiros quarenta empreendimentos.

A titubeante economia brasileira de 25 anos atrás possui, hoje, um perfil completamente diferente, fruto de uma mudança baseada principalmente em três fatores intimamente relacionados: urbanização crescente, amadurecimento etário e melhor distribuição da renda.
Nunca antes na historia deste País tantas pessoas ingressaram no mercado consumidor em tão pouco tempo. Estima-se que a classe C, hoje responsável por 39% do consumo brasileiro, alcançará a marca de 150 milhões de habitantes em não mais que cinco anos. Uma população com renda, idade, informação e inserida em um padrão cultural influenciado pelos mercados mais consumistas do mundo. E, não menos importante, com inédito acesso ao crédito.

O numero de shoppings abertos nesse período cresceu exponencialmente e a sua penetração nas vendas do varejo mais do que triplicou. O modelo brasileiro é hoje, inquestionavelmente, um dos mais bem sucedidos no mundo. A cultura de compras no varejo especializado, especialmente para as fatias superiores da pirâmide social, é indissociável do conceito shopping center.

O posicionamento mercadológico, motivado pelo forte maniqueísmo social brasileiro de um passado recente, tem permanecido, entretanto, baseado no modelo de diferenciação e exclusividade. De acordo com a última pesquisa ABRASCE/NIELSEN, menos de 30% dos clientes de nossos Shoppings pertencem às classes C e D e sua participação nas vendas não chega a 15% do total.

Seguramente, com a economia em crescimento, ainda existirão no País diversas oportunidades para o modelo convencional. Todavia, se desejarmos desbravar esse novo ecossistema de negócios e melhorar a nossa eficiência na Base da Pirâmide, não resta dúvida de que muito aprendizado ainda será necessário.

Algum caminho já foi percorrido e certamente existem experiências nas quais buscar ensinamentos. Parece claro, por exemplo, que é de fundamental importância o respeito às peculiaridades regionais de uma população onde o efeito da globalização é menos relevante. O varejo de massa já identificou que esse neo consumidor, historicamente excluído do sistema de consumo, busca mais a inclusão que a exclusividade. Busca principalmente a sensação de pertencimento e acessibilidade.

Onde localizar nossos novos shoppings, que dimensão e formato seus projetos deverão contemplar, e com quais lojistas ocupar seus corredores são perguntas fundamentais que deverão ser respondidas por quem quiser fazer parte desse jogo.

Aqueles, entretanto, que realmente desejarem cruzar com sucesso essa fronteira precisarão ir além. Entender profundamente esse consumidor, conhecer o seu estilo e a sua estética, suas necessidades e prioridades, seus aspectos funcionais e aspiracionais será apenas o início de um processo de aproximação que poderá converter, em algum momento, essa oportunidade em resultado.

DO HOMO SAPIENS À GERAÇÃO Z - A NOVÍSSIMA GERAÇÃO E SEU IMPACTO NO MUNDO DOS SHOPPINGS

Por Edmour Saiani Da Ponto de Referência, mediará o painel `Marketing e as gerações - foco nos milleniums`

Minha avó assistia televisão lá pelos anos 1960 negando com a cabeça o que via no Repórter Esso junto com seus 13 netos. `Pobres fi lhos`, dizia ela em italiano castiço, com sua autoridade de mais de 100 quilos distribuídos por um sofá generoso em espaço e conforto. Autoridade na acepção do termo. Naquela época o conflito de gerações existia, mas era muito fácil de ser administrado. Havia leis inexpugnáveis de comportamento que, se não cumpridas, geravam punições incondicionais. Os almoços na casa da minha `nona` eram silenciosos como nunca se veria hoje em dia. A lei: se algum dos 13 netos falasse durante o almoço, nada de cinema à tarde. Todo mundo teria que ir dormir. Se alguém abrisse a boca durante o Repórter Esso, ninguém assistiria ao Patrulheiros Toddy que vinha logo a seguir. Era lei. E ninguém ousava desobedecer. Na verdade, um primo meu tentava. Mas o poder estava do lado da geração mais velha. A obediência aos mais velhos era lei. E ela se reproduzia nos outros mundos. A obediência aos professores, que se impunham até pela palmatória, aos chefes, que se não usavam a palmatória, mas tinham a ameaça da demissão como força. `Tempos Modernos`, filme memorável do Charles Chaplin, descreve muito bem essa situação. Alguém manda, eu obedeço. Aliás, o ditado `manda quem pode, obedece quem tem juízo` era a voz corrente.

Minhas primeiras investidas profissionais tentando construir coisas diferentes nos ambientes de trabalho por onde passei me fi zeram lembrar o santo do dia em que nasci: São Jorge. Qualquer tentativa de mudar o status quo era quase que lidar com dragões. O que vinha de volta era parecido com as labaredas. Frases como `já tentamos e não deu certo` ou `isso não funciona` felizmente nunca me fi zeram desistir dos meus sonhos e das minhas convicções. Mas que era um parto construir qualquer mudança, ah, isso era.

O nome genérico `conflito de gerações` passou a ter castas. Não econômicas, mas cronológicas. Baby boomers nasceram de tal ano até tal ano. Eu, que sou de 1955, sou dos novos baby boomers. Aí apareceram outras gerações: a Y, a X e a Z.

Nunca se estudou o conflito de gerações tão profundamente como agora. Estudar o comportamento de pessoas que nasceram em determinadas épocas do mundo passou a ser tema prioritário de quem quer vender ou empregar.

O motivo?

Nos ambientes familiares e de trabalho algo como o fim da obediência. Aliás, o começo da obediência reversa. Quem antes era obedecido agora tem que obedecer. Meninos mandam nos pais. Clientes mandam nas marcas. Varejo manda na indústria. Tudo ao contrário.

Nos relacionamentos, o fim da lealdade irrestrita e incondicional. A promiscuidade tomando o lugar da fidelidade. Quem, afinal, com tanta oferta de produtos, serviços e relacionamentos, dispõese a ficar comprando, convivendo ou trabalhando durante muito tempo com um só parceiro? Seja ele uma marca de quem se compre, um emprego que se tenha conquistado ou um mero namorado ou namorada de quem se tenha aproximado?

Talvez por isso a construção de uma marca forte, que gere resultados sustentáveis, seja cada vez mais difícil. Marcas competentes são construídas com:

❄Conceitos e execução de negócios que ninguém copia, promessas e entrega que ninguém supera

Equipe comprometida, motivada, integrada, inovadora e que quer ficar um bom tempo trabalhando com a marca

Clientes que não querem mudar de marca, a elogiam e até pagam a mais por isso Tarefa difícil. Afinal, o que mais serve para construir marcas diferenciadas é o mais difícil de se conseguir hoje em dia. Como fazer o que é necessário para durar muito e saudavelmente?

Importante então nos preocuparmos com o que vai acontecer com o consumidor. Hoje, amanhã e no futuro.

Já sabemos muitas coisas sobre a geração Y. Afinal, essa é a geração mais presente nos shoppings hoje em dia.

Nasceram de 1980 até 1995. Não precisamente. Terão maior poder aquisitivo do que os seus pais em 2017. Eles são formadores de opinião - dentro de suas famílias e da sociedade. E já influenciam compras mais do que qualquer outra geração. Para eles, falar de compras é igual a falar de tempo para gerações mais antigas. `Como vai o tempo?` foi substituída por `o que você comprou ontem?` E 50% da geração Y já são adultos: têm casa, filhos.

A essência da geração Y é admiração pela tecnologia e confiança pelo que seus pais propiciaram. Inclusive poder morar com eles até muito mais tarde do que as gerações anteriores. O processo de aprendizado mudou, elevou-se a importância da inovação. São mais propensos a comprar sem verba e por impulso do que outras gerações, mas pesquisam muito, em todos os meios e ficam entediados com facilidade - com explicações, produtos, empregos, e em todas as relações.
A geração Y é orientada pelo visual. Quer ter um envolvimento ativo não passivo de aprendizagem. É mais otimista sobre a economia do que qualquer outra geração. Considera que a hierarquia é irrelevante, o respeito deve ser conquistado.

Espera mais do que você pode entregar, quer soluções personalizadas. Está disposta a ser parte do processo e quer ser reconhecida. As empresas com sites lentos ou desatualizados não vão conseguir respeito dessa geração. Nem loja lenta. Nem produto lento. Nem processo lento. O novo é sempre melhor.

Mas o mundo não vai parar aqui. A Abrasce quer conhecer mais sobre quem vai ser o consumidor do futuro. A geração Y já está velha. A geração Z, a que nasceu a partir de 1995, será o futuro. Mais importante do que ela é a nova geração Z. Esse pessoal que nasceu nos últimos anos. Nessa década. Sobre esta geração, que nasceu `downloadeada` de um site tipo www.baixabebe.com.br e não pelos processos normais que conhecemos: (cegonha ou sexo), a Abrasce fez uma pesquisa que será apresentada no Congresso Internacional.

Claro que sabemos coisas sobre esse pessoal. Sabemos que eles nasceram num mundo em que jogar papel no chão é pecado e deixar torneira aberta enquanto se escova os dentes pecado mortal. Sabemos que as escolhas que eles fazem e farão serão toques numa tela de algum iDispositivo qualquer que o Steve lançar. Sabemos que eles são muito mais upload do que download. Sabemos que eles vão levar a vida como num vídeogame, se desafiando, passando de fase, perdendo vidas mas sabendo que podem começar de novo e o erro servirá de aprendizagem.
O que a pesquisa da Abrasce ajudará é a saber como esse pessoal vai querer comprar e ser atendido. Aí, sim, poderemos planejar os shoppings do futuro.

Nos encontramos no seminário internacional do 11º Congresso Internacional de Shopping Centers e Conferência das Américas. Lá vamos ouvir especialistas nesses baixinhos que vão influenciar tanto a nossa vida.

 

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