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Revista Shopping Centers > Número 157 | Julho 2010

Pode entrar?

OS DONOS QUE NÃO DISPENSAM A COMPANHIA DOS CÃES NA HORA DO LAZER SÓ TÊM A COMEMORAR. OS SHOPPINGS CADA VEZ MAIS PERMITEM A ENTRADA DOS ANIMAIS E AINDA IMPLANTAM NOVIDADES PARA FACILITAR A VIDA DOS DONOS

por Janette Tavano

Em maio passado, os shoppings paulistas foram alvo de uma questão polêmica: permitir ou não a circulação de cachorros? Depois de um cliente ser proibido de entrar no Shopping Frei Caneca com seu cão porque ele era de porte grande, o assunto rendeu matérias em jornais, enquetes em sites da internet e dividiu a opinião das pessoas. Como, nesse caso, a lei é fl exível - a `Lei de Posse Responsável`, número 13.131, de 2001, criada pelo vereador Roberto Tripoli, diz que `em estabelecimentos comerciais de quaisquer natureza, a proibição ou liberação da entrada de animais fi ca a critério dos proprietários ou gerentes dos locais, obedecidas as leis e normas de higiene e saúde` -, resta a cada shopping defi nir suas próprias regras, o que pode gerar uma série de malentendidos, principalmente para quem tem cachorro.

BARRAR OS ANIMAIS MAIORES E EXIGIR O USO DE COLEIRA SÃO MEDIDAS QUE SATISFAZEM À MAIOR PARTE DAS PESSOAS

Há lugares que proíbem e ponto final - nos shoppings Ibirapuera e Metrô Santa Cruz, por exemplo, nem existem pet shops para evitar qualquer tipo de confusão. Por outro lado, tem aqueles onde todas as raças são bem-vindas e que, inclusive, oferecem atrativos especiais para o público canino - no Cidade Jardim existe enconum fraldário para a cachorrada e no Pátio Higienópolis, um bebedouro exclusivo na entrada principal, o Dog`s Bar. Na linha do meio-termo, há os que permitem a circulação apenas dos cachorros de pequeno e médio portes - Frei Caneca, Jardim Sul e Anália Franco - e outros que aceitam essas raças desde que os donos carreguem os bichinhos no colo - West Plaza e Bourbon Pompeia. No caso desses estabelecimentos, os pet shops precisam estar próximos de uma entrada secundária, para que os cães maiores possam ter acesso direto à loja, sem precisar circular pelos corredores.

REGRAS CLARAS

`O importante é orientar os clientes da forma correta`, diz Simone Castelli, gerente de marketing do Frei Caneca, na região central de São Paulo. E ela sabe bem do que está falando. Segundo Simone, desde o início, a direção do centro comercial convencionou internamente que seria permitida a entrada de cães de pequeno e médio portes - aqueles com até 40 cm de altura -, sempre na coleira. `As regras eram claras para nós, mas não para os clientes. Como não havia um aviso formal, quando alguém tentava entrar com um cachorro maior pela porta principal, eram os seguranças que faziam o trabalho de informar as pessoas sobre as restrições, pedindo para que se dirigissem à entrada lateral do prédio, que dá acesso ao piso de serviços, onde está localizado o pet shop`, diz ela. Alguns respeitavam, outros não, e isso acabou criando uma série de desentendimentos.

Para esclarecer de vez a situação, o Frei Caneca resolveu colar um adesivo na porta com a orientação correta. `Quando pensamos nessas regras, quisemos buscar a segurança e o conforto de todos os clientes, que gostam ou não de cães. Há pessoas que até sentem medo e, por isso, como um local público, temos que encontrar formas de boa convivência entre todos. Barrar os animais maiores e exigir o uso de coleira são medidas que satisfazem à maior parte das pessoas`, diz Simone. Para justificar essa posição, ela lembra um incidente que aconteceu logo no início, quando um cliente estava com seu Labrador na praça ao lado da entrada lateral e o cachorro pulou para brincar com uma pessoa que passava, que caiu e sofreu uma fratura. O resultado foi um processo contra o shopping, que não deu em nada porque o próprio condutor do cachorro entrou a favor do estabelecimento.

Mesmo em shoppings onde a liberação é total, não se pode perder o bom senso. `Nós permitimos a entrada de todos os cães, mas há limites`, diz Marinei Cestari, gerente geral de marketing da Brookfield, que administra o Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo. Há regras básicas: os animais não podem andar na área de alimentação nem nos cafés, não entram nos elevadores, área de cinema e teatro e devem estar sempre na coleira e usando, inclusive, focinheira - o que nem sempre é obedecido. `Pedimos a focinheira porque, às vezes, o cachorro, mesmo sendo manso em casa, com os donos, quando está num local com muitas pessoas em volta, pode ter uma reação inesperada`, diz Marinei. Tanto nas portas como nos corredores do shopping há simpáticos cartazes informando as normas aos frequentadores. `Estamos num bairro onde os moradores caminham muito com seus cachorros e, desde o início, nunca quisemos impedir a entrada dessas pessoas no shopping. Mas sempre dentro das regras, afinal, a liberdade de um termina onde começa a do outro`, diz Marinei.

NA HORA DO XIXI

Um dos motivos que causa maior constrangimento aos donos é, sem dúvida, quando eles não conseguem evitar que o cachorro faça suas necessidades dentro do shopping. `Nossos clientes são bastante educados e, normalmente, eles próprios trazem os saquinhos. Mas, independente disso, mantemos o pessoal da limpeza sempre a postos para cuidar dessas emergências, evitando, assim, maiores problemas`, diz Marinei.

Para passear despreocupado, tem a opção da fralda, inaugurada dentro do Shopping Cidade Jardim. `O Projeto Fraldário foi desenvolvido para facilitar a implantação de uma cultura de conscientização de higiene e limpeza bastante difundida em outros países, onde os mascotes têm cartão verde na maioria dos estabelecimentos. Assim, a convivência entre nós e nossos animais de estimação não se torna um caos à saúde pública`, diz Ana Carolina Vaz, sócia diretora da Dog`s Care, empresa que idealizou o projeto e fabrica as fraldas. `O objetivo é incentivar o uso da fralda descartável e do saquinho higiênico nos passeios com o cão em locais públicos e fechados. Já tínhamos um projeto de fraldário, porém era itinerante - acompanhávamos eventos do setor como Cãominhadas, Passeios de Campos, entre outros. Aí soubemos que o Cidade Jardim daria entrada livre aos cães e apresentamos a ideia para o dono da loja Gama Pet. O projeto foi aceito e implantado em junho de 2008`, conta.

NO CIDADE JARDIM EXISTE UM FRALDÁRIO PARA A CACHORRADA, E NO PÁTIO HIGIENÓPOLIS, UM BEBEDOURO EXCLUSIVO

Segundo Ana Carolina, a fralda foi desenvolvida com a mesma tecnologia das que são utilizadas em bebês, adaptada para a anatomia dos cães. São exclusivas para xixi e mantêm o animal sequinho mesmo depois de vários xixis. `Temos dos tamanhos PP ao GG, para atender todos os tipos de raças. Porém, os que mais utilizam são os cães de porte pequeno e médio, que na maioria das vezes acompanham os donos em seus momentos de lazer. Eles se acostumam rapidamente com o acessório, já que é super confortável`, diz. O kit vem com uma fralda descartável e dois saquinhos higiênicos para recolher as fezes durante o passeio. `E, por enquanto, é gratuito`, diz Ana.

O PROJETO FRALDÁRIO FOI DESENVOLVIDO PARA FACILITAR A IMPLANTAÇÃO DE UMA CULTURA DE CONSCIENTIZAÇÃO DE HIGIENE E LIMPEZA

Segundo ela, estão sendo distribuídas de 50 a 70 unidades por mês, com mais fre-quência nos finais de semana. `Acredito que o número de clientes não tenha mudado em razão disso, mas percebemos que donos que não levavam seus cães antes para passear no shopping sentiram-se mais confortáveis para fazer isso agora, depois que conheceram o serviço oferecido`, diz.
Inclusive, a empresa surgiu porque ela é apaixonada por cães - é dona de três: um casal de York Shire e uma Lhasa Apso - e adepta do costume de passear com eles em todos os lugares. `Não abro mão da companhia deles, seja num passeio no shopping ou numa viagem`, diz.

Ainda sem revelar nomes, Ana Carolina conta que já há outros shoppings interessados no serviço e que, com alguns, a Dog`s Care já está em fase de negociação: `Até então, tínhamos exclusividade com o Cidade Jardim`, diz.

CACHORRO É UMA FESTA

para marinei, o pátio higienópolis não é um shopping para cachorros, mas sim para um público que gosta deles. prova disso foi o desfile canino que aconteceu no local no último carnaval. `digo com certeza que 80% das pessoas que assistiram o evento (cerca de 1.200 no total) nem tinha cachorro. vieram pela diversão de ver os bichinhos fantasiados, principalmente as crianças`, diz. a vencedora foi uma vira-lata de três patas, que estava vestida de Branca de neve e desbancou os outros 34 competidores. `Com esse desfile, nós quisemos entreter e divertir as pessoas, o que também faz parte dos objetivos de um shopping, além da venda`, diz marinei.

ENTRADA LIVRE

Se a lei para a entrada de animais em locais públicos é maleável, o mesmo não acontece quando se trata de cães-guias. nesse caso, ela é bem clara: a lei federal nº 11.126, de 2005, garante a toda pessoa com deficiência visual - cegueira e baixa visão -, que precise de um cão-guia, o direito de entrar e permanecer com o animal em veículos e lugares públicos e privados. impedir ou dificultar o acesso do usuário e do cão-guia nesses lugares é discriminação. a punição vai de multa à interdição do estabelecimento. `temos vários clientes que vêm ao shopping com cão-guia. geralmente são da raça labrador ou golden retriever, cachorros grandes, mas extremamente bem treinados. o acesso é livre em todas as áreas do shopping, inclusive elevadores. aqui, os seguranças costumam acompanhar o cliente, inclusive`, diz Simone.

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